Estilos do Karate

Fonte: Site da Federação de Karatê do Estado do Rio de Janeiro

Antigamente, Okinawa-te era uma arte praticada secretamente e, passado de pai para filho, não existiam diferentes estilos de karate, faixas ou graduações como atualmente. As diferenças entre os estilos são baseados nos locais de origem.

O karate-Do se desenvolveu em três locais diferentes de Okinawa: Haviam três principais núcleos de Te (mãos), estes núcleos eram as cidades de Shuri, Tomari e Naha.

Conseqüentemente os três estilos básicos antes de receberem os nomes acima mencionados tornaram-se conhecidos como: A capital Shuri, surgiu o Shuri-te (mão do su ) sistema de luta que valorizava a velocidade.

A cidade portuária de Tomari, surgiu o Tomari-te (mão do centro) sistema de luta que na verdade era uma fusão dos estilos de Shuri e Naha.

A cidade comercial de Naha, surgiu o Naha-te (mão do norte) sistema de luta que dava ênfase a força, deu origem ao estilo Goju-Ryu de Karate. Shuri-te e Tomari-te deram origem aos estilos, Shotokan, Shito-Ryu e Wado-Ryu.

 

Goju-Ryu Goju-Ryu

O estilo Naha-te tornou-se popular devido aos esforços de Kanryo Higaoma (1853-1916) onde treinou com o mestre Fukushu na China.

Após treinar por um longo período, este se torna conhecido e após um período, pede licença ao mestre de Fukushu e retorna à Okinawa.

Aos 14 anos Chojum Miyagui (1888-1953) ingressa na academia de Higaona, na cidade de Naha.

Após vários anos de dedicação e esforços aos treinos e várias conversas com Higaona, Chojum Miyagui foi para Fukushu conhecer o Kenpo da Chinam onde passou por vários estados da China para aprender com os mestres locais.

Com o falecimento de Kanryo Higaona, as pessoas passam a procurar o mestre Chojun Miyagui que mais tarde desenvolveu o estilo conhecido hoje como Goju Ryu sendo que, ‘GO’ significa rigidez ou força e ‘JU’ significa flexível ou suave. É nesses dois aspectos que são baseados a filosofia do Goju.

Antes de sua morte o mestre Chojum Miyagui pede para Meitoku Yagui (1912), por ser o aluno mais dedicado a continuar com o estilo, que divulgue e ensine o Goju Ryu e este por sua vez, passou a ensinar aos demais pelo mundo.

 

Shito-Tyu Shito-Tyu

Nas origens do Karatê, dois grandes mestres daquele tempo eram Anko Itosu (Shuri) e Kanryo Higaona (Naha).

Enquanto estes dois homens representavam a mais alta autoridade daquela época, havia diferenças significativas entre eles:
Itosu enfatizava a velocidade e agilidade.
Higaona enfatizava a força e contração muscular.

O meste Kenwa Mabuni, fundador do estilo Shito Ryu, inicialmente começou praticando com os mestres Anko Itosu (Shuri-te) e Kanryo Higaona (Naha-te). O meste Mabuni era dotado não somente de técnicas de karate, mas também praticou Kobudo (armas marciais).

Quando o mestre Mabuni mudou-se para Osaka (Japão) em 1934, estabeleceu credibilidade com as outras artes marciais da comunidade japonesa e, sendo assim, fundou seu próprio estilo de karate: Shito-Ryu, fundindo as principais características dos mestres Itosu e Higaona.

Esta fusão reflete-se no nome do estilo:
‘SHI’ – representa o ‘ITO’ de Itosu
‘TO’ – representa ‘HIGA’ de Higaona
Combinando-se essas duas sílabas chega-se ao nome do estilo SHITO.

 

Shorin-Ryu Shorin-Ryu

Na luta pela sobrevivência o ser humano procura um meio de defesa para vencer as adversidades. Como meio de autodefesa, em Okinawa se desenvolveu o ‘TE’ (mão). Esta luta ensinava o praticante a enfrentar sem armas o seu adversário.

Em 1371, Okinawa iniciou um intenso comércio com a China, Coréia, Tailândia, Java, Filipinas, Indonésia, Sumatra e Malásia o que motivou a desenvolver outra forma de luta procedente da China semelhante ao ‘TE’ foi o ‘KEMPO’.

Com a presença da luta chinesa em Okinawa, aperfeiçoou-se uma nova luta, o Karate-do.

Por duas vezes houve proibição do uso de armas em Okinawa. Nessa época, Okinawa estava dividida em três estados: Nanzan (sul), Chuzan (centro) e Hokuzan (norte).

Em 1472 o rei de Chuzan, Shosashi, conquistou toda a Okinawa após muitos conflitos e pela primeira vez ocorreu a proibição do uso de armas.

Quando o governador do estado de Satsuma, Kagoshima atacou e dominou Okinawa em 1670, ordenou-se novamente a proibição do uso de armas. Assim o Karate-do assumiu maior valor. Aqueles que não apoiavam o uso de armas aperfeiçoaram e usaram o Karate-do como meio de enfrentar os adversários que vinham armados.

O Karate-do desenvolveu-se em três locais de Okinawa: na capital Shuri, onde ficou denominado SHURI-TE, na cidade portuária de Tomari, onde foi denominado TOMARI-TE e na cidade comercial de Naha, onde denominaram NAHA-TE. Depois, Shuri-te deu origem ao estilo SHORIN RYU e Naha-Te ao Estilo Goju Ryu.

Foi depois da segunda Guerra Mundial que o karate Shorin Ryu popularizou-se pelo mundo.

 

Shotokan Shotokan

O estilo Shoto-kan – SHOTO (pseudônimo com que o meste Funakoshi costumava assinar seus poemas em sua juventude) transcrito em caracteres ocidentais e KAN (casa) foi fundado por Guchin Funakoshi (1868 – 1957).

Iniciou seu aprendizado aos 11 anos de idade, sendo aluno do renomados mestre KOZAKU MATSUMURA e com o mestre ITOSU, treinando extensivamente o Shuri-te, hoje conhecido como Shorin Ryu.

O professor Funakoshi, considerado o Pai do karate moderno, foi quem introduziu oficialmente o karate no Japão em 1922, através de uma memorável demonstração no Budo-kan a convite do Ministério da Educação japonês. O estilo Shoto-kan teve tão rápido conhecimento de discípulos que Funakoshi decidiu criar em 1936 seu próprio Dojo (local de treinamento).

O nome Shoto-kan surgiu no primeiro edifício de madeira que foi a primeira escola de Guichin Funakoshi.

O estilo Shotokan foi mais tarde aperfeiçoado pelo filho de Gishin Funakoshi, Yoshitaka Funakoshi, sempre com algumas restrições do mestre Funakoshi, mas com seu consentimento.

Entre as inúmeras técnicas incluídas no estilo estão Yojo Gueri (sokuto), Mawashi Gueri, Ushiro Gueri, Ura Mawashi Gueri, Uti Mawashi Gueri e outras variações de chutes que diferenciam de outros estilos.

As técnicas básicas do karate são passadas principalmente do kihon, sejam os chutes, golpes e defesas.

 

Wado-Ryu Wado-Ryu

O Shinto-Yoshin Ryum Jiu Jitsu, praticado durante trinta anos pelo professor Hironori Orsuka, acentuava o Atemi, as imobilizações, as esquivas e os golpes de impacto com os membros, além dos arremessos e projeções que a maioria das escolas de Jiu Jitsu utilizava.

Hironori Otsuka, que aos 29 anos tornava-se mestre em Jiu Jitsu (01/06/1921 – conforme registros) tomou contato com o karate de Okinawa através de uma demonstração pública feita por Gishin Funakoshi e equipe em 1922.

Apresentou-se no ginásio Meisho-juku, onde, segundo suas próprias palavras: ‘Funakoshi san, recebeu-me muito bem e disse que me ensinaria de bom grado o karate’ e ainda completa: ‘Ele era surpreendentemente franco e aberto e de espírito puro…’.

Com dedicação integral, Otsuka passa a praticar o karate com o mestre Funakoshi, quem lhe confiava a organização de muitas tarefas, bem como a assistência na instrução aos estudantes de karate.

A partir de então, Otsuka passa a amadurecer idéias sobre a mescla das técnicas do atemi, esquivas e Nague Waza do seu Jiu Jitsu ao karate, onde já se tornara um respeitado especialista.

Nesta mesma época (1929), organiza o primeiro clube de karate na Universidade de Tóquio e introduz neste mesmo ano o estudo do estilo livre de luta em jogos competitivos, criando a base dos atuais torneios de karate.

Otsuka estabelece então uma rede de academias nas várias universidades japonesas (Nodai, Rikyo, Nihon, Todai e Colégio Dental de Tóquio).

Finalmente em 1934, oficialmente, inaugura o seu próprio estilo de karate que em 1940 é oficializado pela Butoku-kai (órgão disciplinar e gestor das Artes Marciais no Japão) como o estilo Wado Ryu – ‘Escola do Caminho da Harmonia’.

Hironori Otsuka nos ensinou em sua poesia ‘TEM, CHI, JI NO RI-DO WASURU’ que o caminho das Artes Marciais não deve ser meramente técnica de luta, mas o caminho da paz e harmonia.

A meta de prática desse estilo é trazer a paz e harmonia, o que é mais difícil de ser atingido do que a vitória pela violência.